Escritos…

“Faça seu filho ouvir Mozart, ela vai ficar inteligente” ou Por que seria bom se todos soubéssemos um pouco sobre método científico

Você acabou de abrir o Facebook. Logo vê um amigo, cujas faculdades intelectuais você respeita profundamente, postar uma notícia que não faz sentido algum. Você leu e tem certeza de que aquilo não pode ser verdadeiro, afinal, a batata doce não pode fazer ninguém emagrecer 7 quilos em 20 minutos! No entanto, seu amigo, compartilha a “informação” sem o menor pudor. E não. Ele não está de brincadeira e primeiro de Abril já passou.

Pois é, exageros à parte, todo mundo já viu meias verdades ou mentiras completas sendo compartilhadas sem o menor filtro por aí. Afinal, alguém escreveu, deve estar certo! Não é bem assim… Se fosse verdade, todos os livros escritos estariam corretos, inclusive os que se contradizem. E aí? então quer dizer que é tudo mentira? Complicado…

Mas, por que é que estou falando disso? Porque, como em todos os assuntos, no que diz respeito à música, há diversos mitos que propagamos por aí sem querer. Eu sempre falo sobre o efeito Mozart (já até escrevi sobre ele aqui no blog), não porque ele seja a maior mentira musical de todos os tempos. Mas, exatamente, porque a má interpretação de uma pesquisa com pouco rigor metodológico fez com que uma informação errada fosse propagada mundialmente quase como um vírus. Mais de uma década depois, ainda havia pesquisadores (!) aqui no Brasil e em outras partes do mundo estudando o tal efeito Mozart.

Agora… A música nos deixa mais inteligentes? Não. Mas, ela é capaz de trazer benefícios para quem estuda um instrumento musical? Tudo indica que sim. Pense em um atleta. Quanto mais ele treina, mais eficiente fica, mais seus músculos ganham força e resistência. É claro que o cérebro não é um músculo, mas hoje a ciência já caminhou muito sobre um assunto importante que é a plasticidade cerebral. Você deve se lembrar. Não faz muito tempo e dizia-se dos neurônios que, uma vez perdidos, para sempre perdidos! Hoje, sabe-se que isso não é exatamente verdade. Há neurogênese (criação de novos neurônios) também na idade adulta. Além disso, sabe-se também, que o cérebro é capaz de se reorganizar após uma lesão. Resumindo, nosso cérebro é plástico!

Isso significa que nossas experiências são capazes de moldar como nosso cérebro funciona e hoje há evidências de que a terapia também pode mudar a maneira como o cérebro funciona. Mas, isso significa que ouvir Mozart pode me fazer ficar mais inteligente? Anos após o último post do blog sobre o assunto, a resposta continua sendo não. Infelizmente, não há receita mágica. A música é benéfica? Claro. Auxilia no desenvolvimento da coordenação motora, é um importante regulador de emoções, agrega pessoas e coloca todo seu cérebro pra funcionar só de ouvi-la. Isso é realmente incrível! Mas, é isso.

As pesquisas continuam, há potencial para tratamentos de lesões cerebrais, mas ainda não há comprovações nem métodos musicoterápicos com eficácia comprovada. Nesse meio tempo, sabemos que a música faz bem e cada um tem sua experiência pessoal e especial com ela. Não é maravilhoso? Então, vamos aproveitar e não compartilhar aquele post de conteúdo duvidoso…

Anúncios