Vou, não vou… Vou! Ou não?

Você está na academia. Cansado, mas ainda não terminou seu treino. De repente, aquela música te dá um gás para continuar e cumprir a tarefa. Toda aquela história de superar limites, você se sente um guerreiro! O som ao fundo pode ser “We are the champions” ou a Cavalgada das Valquírias, não importa! O que importa é que a música muda seu estado emocional e você se sente, de repente, invencível! Exagero? Acho que não… É sabido que a música é capaz de modular nossos estados emocionais. Aquela música que muda o ânimo, que relaxa no fim de um dia estressante de trabalho ou que, simplesmente, te faz dançar e esquecer da vida. E o cinema faz uso disso muito bem. Basta assistir à clássica cena do filme Rocky com e sem música:

 

 

Bem menos épico sem música, não?

Bom, eu citei exemplos bons até agora. Mas, será que a música pode nos sugestionar a ter comportamentos que nos prejudiquem? Volto para o exemplo do começo. Supondo que o seu cansaço no fim do treino não seja preguiça, mas uma maneira de o seu corpo sinalizar que você pode estar exagerando… O que acontece quando você coloca aquela música épica e manda ver no exercício? Pode ocorrer uma lesão… Esse é um possível impacto no seu dia-a-dia. Mas, a música também pode ser utilizada para outros fins. Sabe-se que, por muito tempo, as grandes guerras eram embaladas por música que insuflava os ânimos dos soldados. Muitos deles, caminhando pra morte. Tambores de guerra, música feita para guerra na Grécia antiga, ou mesmo aquela música de palanque que insufla os ânimos, está lembrado?

Mas, vamos ao artigo de hoje… O que acontece quando você pensa: “estou cansado, devo terminar o treino… Não, não estou tão cansado assim, posso me exercitar mais…” Você está prestes a tomar uma decisão, baseando-se em probabilidades. Você se conhece. De repente, você é sempre um pouco preguiçoso e tenta evitar o excesso não por não ser capaz. Ou, você é super dedicado, mas sente que naquele dia não está bem. Você pára e analisa o que vai te trazer mais ganhos, continuar o treino ou parar por ali. Assim fazemos com cada escolha em nossas vidas. Esse é só um exemplo.

O que acontece é que, quando tomamos uma decisão, nossas emoções também participam da “conta”. Muitas vezes, sem que percebamos. Foi isso que pesquisadores alemães decidiram investigar. Eles recrutaram 41 pessoas e as fizeram participar de uma série de jogos de apostas. Nessas apostas, eles recebiam a informação de quanto poderiam ganhar e de qual seria a probabilidade de eles ganharem. O risco das apostas variava de 10 a 90%. Antes de participarem dos jogos, os participantes podiam ouvir música alegre, triste, neutra (sons aleatórios) ou nenhum tipo de som. Depois disso, os pesquisadores avaliavam o estado emocional do participante.

E o que eles descobriram? Que quando os sujeitos de pesquisa ouviam música alegre, além de ficarem mais felizes, a tendência era de apostar mais alto, ou seja de aceitar mais riscos. O que isso significa? Significa que quando estamos felizes, nossa tendência é a de sermos mais otimistas e, às vezes, ignorarmos os riscos das nossas escolhas. Significa que é ruim ouvir música alegre? Não. Significa que, como tudo à nossa volta, a música também é capaz de nos influenciar de maneiras que não percebemos ou mesmo não imaginamos. E, como tudo, pode ser bem utilizada e nos auxiliar, ou pode nos atrapalhar. Sabendo disso, cabe a nós escolhermos quando apertar o play.

 

Para ler mais sobre o assunto:

Schulreich1, S.; Heussen, Y.G.; Gerhardt, H.; Mohr, P.N.C.; Binkofski, F.C.; Koelsch, S.; Heekeren1, H.R. Music-evoked incidental happiness modulates probability weighting during risky lottery choices. Frontiers in Psychology, v.4, 2014.

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