Molto espressivo

Você já se perguntou por que é tão prazeroso assistir a um show do seu artista favorito? Ou por que é tão melhor assistir a um concerto ou show do que simplesmente ouvir um CD? É claro que há muitas respostas para essas duas simples perguntas. Mas, vou me ater a um aspecto que considero dos mais importantes para o fenômeno musical. A integração entre aspectos visuais e auditivos. Explico melhor…

Se você acompanha os escritos deste blog, já deve ter lido a respeito das interações auditivo-motoras e já deve ter entendido que tanto a audição quanto a produção musicais se dão de maneiras muito mais complexas do que normalmente se imagina. Pois bem. Apesar de a tecnologia de captação de áudio e produção de arquivos de som ser cada vez mais desenvolvida, muito da performance musical vem da junção entre aspectos sonoros e visuais, sendo que os aspectos visuais possuem mais importância do que se imagina.

Em estudo sobre expressividade musical, pesquisadores do Emotion and Cognition Neuroscience Laboratory de uma universidade na Romênia submeteram os participantes a audições de trechos da ópera Tosca em três condições diferentes. Na primeira, os participantes ouviam um trecho da ópera. Na segunda, lhes era explicada a trama referente ao trecho e, em seguida, ouvia-se novamente o mesmo trecho. Na terceira, os participantes assistiam a um vídeo do excerto com legendas. Em outro grupo, os participantes somente ouviam a música três vezes seguidas. Após a audição de cada trecho, os participantes respondiam questionários sobre as emoções que percebiam no trecho. Além disso, eram monitorados a frequência cardíaca, frequência respiratória e a condutividade da pele (para saber mais sobre condutividade da pele, ler post “Isso me dá arrepios”).

O que os pesquisadores encontraram foram respostas diferentes em cada condição somente para o grupo que ouviu de diferentes maneiras. Os participantes não só julgaram perceber emoções diferentes nas três condições como também tiveram respostas fisiológicas diferentes nas três vezes. No outro grupo (que somente ouviu três vezes seguidas) não houve diferenças de percepção de emoções.

É claro que há aspectos puramente musicais envolvidos na qualidade da performance musical. No entanto, não se deve deixar de lado o fato de que muitos aspectos além do musical influenciam o julgamento e o entendimento do ouvinte. Se não houvesse tal influência, não haveria necessidade em ver seu artista favorito nos palcos ou em assistir a uma ópera devidamente encenada. A experiência de ouvir música pode ser influenciada (beneficiada ou prejudicada) por aspectos extra musicais. E saber administrar esses aspectos também faz parte do trabalho do músico.

É isso por hoje… deixo um vídeo de Maria Callas cantando Tosca, cantora que inspirou o experimento feito na universidade da Romênia.

Para ler mais sobre o assunto:

Baltes, F. R.; Avram, J.; Miclea, M.; Mil, A. C. Emotions induced by operatic music: Psychophysiological of music, plot, and acting. A scientist’s tribute to Maria Callas. Brain and Cognition, v. 76, p. 146-157, 2011.

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