Sábado na balada…

Como prometido, retomo as atividades do blog nesse novo ano de 2012!

Pelo título, vocês devem ter percebido que o post de hoje trata da música do momento… Sim, eu também vou falar de “Ai, se eu te pego” de Michel Teló. Explico. O fato é que eu nem sabia da existência da música até que uma aluna israelense me disse que até os amigos dela de Israel sabiam! Depois, cansei de ver posts de pessoas que estavam viajando dizendo que a música é uma verdadeira febre em vários países. Eu mesma, feliz da vida, passando Natal no fim do mundo (Ushuaia, Terra do Fogo) tive o desprazer de ouvir uma versão em espanhol da praga. Depois, em Buenos Aires, ainda tive que ouvir de um argentino na rua “Nossa, nossa, assim você me mata”. Inacreditável! A canção me perseguia…

Foi aí que resolvi pensar um pouco a respeito da razão pela qual uma música como aquela poderia ser um sucesso mundial. E, claro, a minha explicação é bem simples e pode ser resumida em uma única palavra: ritmo! Sim, porque a letra e a melodia pouco importam. E você pode até dizer: “Ah, mas existem versões da música em várias línguas diferentes. Se a letra não fosse importante, para que fazer versões?” Essa colocação até faz sentido. No entanto, só há versões porque a original fez tanto sucesso que acabaram achando importante traduzir a mensagem. (Claro, tenho outras considerações a respeito da letra, mas vou me concentrar em um único aspecto por enquanto…)

No entanto, tudo que eu ouço é que as pessoas dançam loucamente a música por aí… E é aí que entra o assunto sobre o qual eu realmente gostaria de falar. Lendo artigos e até para o desenvolvimento da minha própria pesquisa, pude perceber que, na hora de julgar o caráter geral de uma música, pensando-se em algo bem simples como alegria e tristeza, a grande maioria das pessoas utiliza como principal guia o andamento e o ritmo. É isso que faz, por exemplo, num artigo que eu já citei quando tratei das diferenças culturais em música, um povo sem contato com a cultura ocidental acertar (numa proporção bem alta) qual a emoção ligada a cada música. É o que faz, também, pessoas escolherem músicas cujas letras são completamente inapropriadas para suas cerimônias de casamento. Todo cantor que já cantou em algum casamento tem algumas histórias sobre músicas em inglês escolhidas pelos noivos que não têm absolutamente nada a ver com amor, alegria ou união. Mas, a música, sem letra alguma, possui algum significado muito especial para quem escolheu. Nesse caso, a música lenta e aparentemente romântica pode ter uma letra sobre perda ou amor não correspondido, por exemplo.

Quando se pensa em música para dançar, a letra pouco importa. O que importa é poder se mexer. E, nesse quesito, a música de Michel Teló não falha. Se formos pensar em termos funcionais, música e corpo têm uma relação das mais importantes na história da humanidade. Desde rituais de nossos ancestrais, a música sempre esteve fortemente ligada ao corpo e à dança. É só assistir a rituais de povos africanos ou indígenas. Até hoje, a música se mantém fortemente ligada à dança. Nos ballets, musicais ou até sábado… na balada!

E vamos para mais um ano de Neurônios em Pauta! Feliz 2012!

Deixo dois vídeos. O primeiro, soldados do exército de Israel dançando “Ai se eu te pego”. O segundo, dos Barbatuques, que eu acredito ser um grupo que exemplifica bem a relação entre música e corpo.

Para ler mais sobre o assunto:

Mithen, S. The singing neanderthals. The origins of music, language, mind and body. Harvard University Press: Cambridge, 2006.

Fritz, T.; Jentschke, S.; Gosselin, N.; Sammler, D.; Peretz, I.; Turner, R.; Friederici, A.D.; Koelsch, S. Universal recognition of three basic emotions in music. Current Biology, v. 19, p. 1-4, 2009.

Levitin, D. J. The world in six songs. How the musical brain created human nature. Dutton: New York, 2008.

Anúncios

7 comentários Adicione o seu

  1. Margaret disse:

    Nossa com ctz… td vez q eu to no casamento e toca uma musica nada a ver, eu fico pensando: “ctz q o casal nem sabe do q se trata a musica…” as vezes a musica fala até de traição…. huahuahuahauahuahahuaa
    Mas fala sério, q musiquinha mala!

    1. Viviane Rocha disse:

      Sim, é mala… E gruda na cabeça… E só tem um verso e um refrão!!!!

  2. Margaret disse:

    ahn e qd eu li o titulo, eu achei q vc ia falar q iamos começar 2012, com sábados de baladas! hunf! não curti…. huahauhuahauauhauaha vamos?

    1. Viviane Rocha disse:

      Só se for uma balada onde não toca Michel Teló!!!!!!

      1. Margaret disse:

        Hahaha por favor, eu direi ao dj! Hahhaahaha

  3. meathook79 disse:

    A-D-O-R-E-I esse post, Vivi… E, assim como aconteceu com você, está ficando cada vez mais difícil pra mim, evitar ouvir esta música. Eu sei que não se deve julgar algo antes de ter um conhecimento sobre ele, mas morro de medo ( e é medo mesmo! ) de ficar com ela grudada em meu cérebro a ponto de lobotomia parecer uma boa pedida. Mas continuo firme e forte, e sem nunca ter ouvido a música. Parece que há um livro “Como Fazer Músicas Chicletes?”.
    1°: elabore um rítimo bom para se dançar;
    2°: crie uma letra repetitiva e com rimas fáceis;
    3°: coloque timbre ou sons, se preferir, que faça o sucesso entre a galera na balada ( o famoso puts, puts ) e PRONTO!

    P.S.:Mals pelo comentário gigante, mas precisava compartilhar isso… E ao invés de criar um post sobre isso, achei mais fácil só comentar o seu! =D

    1. Viviane Rocha disse:

      Hehehe… Pois é, Karol…
      É difícil se manter longe disso. Toca em todos os lugares, já há inúmeras versões. E o som é algo super invasivo, não dá para parar de ouvir voluntariamente. Só direcionar a audição… Mas, até você fazer isso, já ouviu o que não queria…
      Adorei seu comentário gigante! Pode escrever à vontade! Fico feliz…
      E, ah… Não precisa escrever um livro sobre músicas chiclete… A técnica já está no senso comum… Hehehe…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s