Idas e vindas

Após uma pausa, o blog retorna nesta semana. Já adianto que, a partir desse semestre, os posts passam a ser quinzenais e não semanais, uma vez que a minha própria pesquisa deve entrar em processo de coleta de dados. (Não se preocupem, pois o meu trabalho deve ser assunto de algum post mais adiante!)

Aproveitando o período de retorno de férias, resolvi escrever sobre algo que sempre me intrigou. O tema de hoje foi, também, sugestão de um leitor. Então, aproveito para convidar quem quiser a sugerir temas para o blog. Na medida do possível, tentarei atender aos pedidos. Passado esse parêntese, vamos ao assunto. Imagine que você está andando por uma rua. Passando por uma determinada loja, você escuta uma música que não ouvia há anos. Uma música da sua infância, por exemplo. De repente, o ano não é mais 2011. É 1990 ou 1980 e uma porção de diferentes imagens, cheiros e sabores daquela época vêm à tona. Isso já deve ter acontecido com você. Uma música faz lembrar uma época, que faz lembrar uma cena, que faz lembrar uma comida e por aí vai.

Obviamente, essa capacidade de se transportar a outras circunstâncias (vividas ou não) não é algo exclusivamente causado pela música. No entanto, não deixa de ser curioso como, com a música, parece que imediatamente, sem mesmo querer, somos tão rapidamente transportados pelos fatos das nossas memórias. Memória. Essa seria a palavra chave nessa história. Como será que ela funciona? Será que a memória para música (já falei sobre esse assunto antes*) é especial? Sabe-se, por pesquisas com pacientes com Alzheimer que a memória para música é preservada mesmo em estágios avançados da doença. Será que isso significa que esse tipo de memória é especial ou é guardado de maneira também especial ou única?

Outro ponto interessante é como um estímulo auditivo nos remete a uma imagem (estímulo visual) ou a um cheiro, por exemplo. Aqui neste blog, já escrevi sobre as interações auditivo motoras** e sobre sinestesia***, que seria uma habilidade exagerada de misturar estímulos de naturezas diferentes. Mas, o que acontece é que mesmo as pessoas que não possuem essa habilidade (sinestesia) são capazes de realizar essa mistura no processamento de estímulos. Assim como se dá a interação entre estímulo auditivo e movimento que contagia até cacatuas****.

Bom, o intuito desse post não era responder a muitas perguntas, era deixá-las para serem respondidas mais tarde… O assunto é complexo e gera mais indagações do que respostas. Que venha mais um semestre!

Deixo um vídeo que diz respeito a uma conversa repleta de lembranças e música. De um grupo que absolutamente adoro, Les Luthiers.

* ver post “Dois hambúrgueres, alface…”

** ver posts “Ouço… Logo, toco!” e “Será que eu posso não estudar hoje?”

*** ver post “Música colorida”

**** ver post “Ouço… Logo, toco!”

Para ler mais sobre o assunto:

Baird, A.; Samson, S. Memory for music in Alzheimer’s disease: unforgettable? Neuropsychology Review, 19, p. 85-101, 2009.

Anúncios

5 comentários Adicione o seu

  1. Lawrence Ikeda disse:

    Sensacional!!!!

    1. Viviane Rocha disse:

      Obrigada! Fico feliz que tenha gostado!

  2. Gui Prioli disse:

    Oba, seu blog voltou!

    1. Viviane Rocha disse:

      Sim! Mais um semestre de “neuroses”…

  3. Eeee! Que bom que voltou! =)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s