Tal pai, tal filho!

Bom, hoje resolvi tomar um pequeno desvio da neurociência e falar de genética (!). Pois é, muito se especula a respeito da origem das habilidades musicais. Escrevo sempre sobre questões relacionadas a aspectos evolutivos da música. No entanto, há poucos estudos sobre o quanto as habilidades musicais podem ser hereditárias.

Tem-se muitos exemplos de famílias com inúmeros músicos. O exemplo clássico é a família Bach. Tudo bem que Johann Sebastian Bach teve muitos filhos e a probabilidade de algum deles se tornar músico não devia ser muito pequena mesmo. Hoje em dia, há muitos casos de músicos filhos de músicos. Mais até do que se imagina. (Quem quiser testar seus conhecimentos de pais e filhos da música popular pode entrar no site a seguir. Tem um quiz com 23 pares de pais e filhos músicos http://www.sporcle.com/games/Matthewconte/fatherandsonmusicians )

Escrevi tudo isso para falar sobre um artigo que li essa semana. É um artigo de 2009, trabalho conjunto da Universidade de Helsinki e da Sibelius Academy, na Finlândia. Os pesquisadores analisaram material genético de 19 famílias finlandesas, num total de 343 pessoas. Além disso, aplicaram testes de habilidades musicais e de criatividade musical em todos os integrantes das famílias. O que eles encontraram de interessante foi uma forte correlação entre o gene AVPR1A e habilidades musicais. Esse gene é comumente associado a habilidades sociais e ao altruísmo, o que sugere forte correlação entre música e relações sociais humanas, reforçando a idéia de que a música pode ter desempenhado papel importante no desenvolvimento da vida em sociedade…

Muito ainda precisa ser estudado. E é claro que as habilidades musicais não se resumem a um único gene e nem somente a aspectos genéticos. Mas, o que os estudos indicam é que há maior probabilidade de seu filho ter aptidão para música se você a tem.

Hoje deixo um vídeo dos King’s Singers. Escolhi esse vídeo por causa da confusão com os nomes da família Bach logo no comecinho. Mas, vale a pena assistir até o final…

 

Para ler mais sobre o assunto:

Ukkola, L.T.; Onkamo, P.; Raijas, P.; Karma, K.; Järvela, I. Musical Aptitude Is Associated with AVPR1A-Haplotypes. PLoSONE: e5534. doi: 10.1371/journal.pone.0005534, 2009.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Gui Prioli disse:

    Oi Vivi!
    Faz tempo que eu não leio seu blog. Achei bem interessante essa questão da associação da música às relações humanas. Isso tem a ver com algumas coisas que eu estou aprendendo recentemente em aulas na faculdade e em experiências que tenho tido com música. O que eu tenho visto é que, no fundo, música é comunicação. Não interessa se estamos falando sobre “despertar sentimentos” ou “transmitir idéias” ou simplesmente “representar uma forma”. Algo deve ser comunicado. E esse eu acho que é o maior desafio, justamente conseguir se comunicar com o público e não apenas tocar ou cantar as notas da música – coisa que tem uma solução técnica, e não, digamos, artística. Cantor ouve muito isso dos professores, não é?
    Beijos!

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