Música colorida

Não, esse não é um post sobre a banda Restart! A “música colorida” do título diz respeito a uma habilidade muito peculiar que acomete determinadas pessoas. Não é nenhum tipo de síndrome e muitas das pessoas que possuem essa capacidade de percepção diferente das outras pessoas nem sabem que a tem. Por incrível que pareça, é uma habilidade relativamente comum. Estima-se que haja cerca de uma pessoa em cada 2000 com essa habilidade, ou talvez mais.

Do que estou falando? Da sinestesia. Não, não é da figura de linguagem… A sinestesia é a capacidade de unir (ou seria misturar?) sentidos. Foi descrita no século XIX por Francis Galton, que encontrou pessoas capazes de ver números com cores específicas, ou associar notas musicais a cores. Para os sinestésicos, o número cinco é sempre azul, a letra “A” sempre verde e o tom ré maior sempre amarelo. Para deixar bem claro, esses são exemplos. Não quer dizer que todas as pessoas com sinestesia vêem números 5 azuis!

Todos somos capazes de associar sentidos, atribuindo texturas a cores, sabores a sons e assim por diante. No entanto, os sinestésicos que atribuem cores a números, por exemplo, sempre associam os mesmos números às mesmas cores. De acordo com o pesquisador Vilayanur Ramachandran, da Universidade da California, um “teste” comum para sinestesia seria a figura abaixo.

A maioria das pessoas demora muito para identificar os números 2 na figura em preto e branco. No entanto, os sinestésicos, por associarem cores a números, facilmente encontrariam o desenho em forma de triângulo gerado pelos números 2 na figura. Você encontrou?

Atribuir cores a números não são as únicas habilidades das pessoas com sinestesia. Muitas delas são capazes de atribuir cores a notas musicais ou tonalidades. Para alguém com essa habilidade, o ré maior será sempre amarelo, o mi menor verde, etc. Muitos dos treinos de pessoas com ouvido absoluto se baseiam nas cores associadas a notas. Não há estudos sobre isso, mas, provavelmente, a incidência de ouvido absoluto em pessoas com sinestesia deve ser muito mais alta do que na população geral. Por meio das associações de cores e sons, há muito maior probabilidade da utilização da memória para tons de maneira bem sucedida.

Hoje deixo um vídeo que mistura música, cores e formas…

Para ler mais sobre o assunto:

Ramachandran, V.S. A Brief Tour of Human Consciousness. From impostor poodles to purple numbers. New York: Pi Press, 2004.

Sacks, O. Alucinações musicais. Relatos sobre música e cérebro. São Paulo: Companhia das letras, 2007.

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4 comentários Adicione o seu

  1. Giovanna disse:

    Que legal, Vivi. Para mim, as letras tem cores e as melodias formam desenhos. Preciso ler mais sobre sinestesia. Obrigada pelo post. Bjs!

    1. Viviane Rocha disse:

      Nossa, que bacana, Gi! Imagina… bjo!

  2. Sandra Felix disse:

    Bacana o artigo Vivi!
    Ah, não tenho esse “trem” de ser cinestésico não.rrrssss

    1. Viviane Rocha disse:

      Hahaha! Tudo bem, Sandra… Vc já tem dons demais! Deixa um pouquinho pros outros… 😜

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