Música hoje e amanhã também!

Já escrevi neste blog sobre neuroplasticidade e como cérebros de músicos e não músicos apresentam diferenças estruturais. Já comentei também que não se sabe, ao certo, se essas diferenças estruturais são causadas pela prática musical ou se são diferenças estruturais que predispõem os indivíduos ao estudo da música. Nos últimos anos, alguns avanços têm sido realizados na área da neuroplasticidade, mas sempre com estudos correlacionais. Ou seja, estudos que estabelecem relações entre música e cérebro, mas que não podem afirmar certamente que a música cause determinado efeito nos cérebros dos indivíduos.

Um estudo importante na busca das causas foi o de Gottfried Schlaug que citei no post “O Canadá não é aqui”. No estudo daquele post, foi avaliada a potencial influência da música no volume do corpo caloso de crianças. Nessa semana, saiu na Folha de São Paulo uma matéria sobre um estudo publicado na revista Neuropsychology neste mês. Neste estudo, foram avaliados os possíveis benefícios da prática musical no envelhecimento.

Nesse trabalho, conduzido na University of Kansas, Estados Unidos, os pesquisadores avaliaram 70 idosos, divididos em três grupos. Um grupo de pessoas que não praticaram instrumentos musicais durante a vida, um grupo com prática musical entre 1 e 9 anos durante a vida, e um terceiro grupo com mais de 9 anos de prática musical. Esses três grupos passaram por uma bateria de testes neuropsicológicos, que avaliavam capacidades cognitivas como memória verbal e não verbal, capacidades de linguagem, memória auditiva, atenção auditiva e capacidade visuo-espacial.

Houve diferenças significativas entre o grupo com maior tempo de prática musical e o grupo de pessoas que nunca haviam tocado um instrumento musical. As principais diferenças se deram nos quesitos memória, linguagem (tarefa para nomear objetos) e capacidades visuo-espaciais. O melhor desempenho em linguagem nos permite reacender o debate acerca da possível origem comum entre música e linguagem. Mas, esse assunto fica pra outro post ainda. No entanto, o que o estudo citado indica é que a prática musical pode ser preditor de um bom envelhecimento, com menores perdas cognitivas. Estudos ainda devem ser conduzidos para que se saiba se realmente a música facilita o bom envelhecimento ou se as pessoas com tendências a terem menos perdas têm, também, a tendência a escolher tocar um instrumento musical.

Hoje deixo um vídeo de uma “velhinha” que, com certeza, não perdeu nenhuma de suas capacidades (musicais e verbais, pelo menos) com a idade… Ella Fitzgerald! Apreciem…

Para ler mais sobre o assunto:

matéria da Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/906945-jovem-que-estuda-musica-protege-cerebro-em-idade-avancada.shtml

artigo original:

Hanna-Pladdy, B., MacKay, A. The Relation Between Instrumental Musical Activity and Cognitive Aging. Neuropsychology. Online: doi: 10.1037/a0021895, 2011.

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